terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Poetando com Alma


Poetando com Alma, de Ludovina Silva, apresenta-se como um convite subtil e profundo à introspeção e à observação atenta do universo sensível que nos rodeia. Nesta obra, a poesia assume-se como um espaço de autenticidade emocional, onde cada verso parece emergir de uma necessidade interior de expressar, sentir e partilhar. Mais do que uma simples leitura, o livro propõe uma vivência poética, convidando o leitor a acolher a palavra como diálogo íntimo com as suas próprias memórias, experiências e afetos.

A escrita de Ludovina Silva carateriza-se por uma clareza expressiva e por uma musicalidade tranquila, revelando uma voz poética que privilegia a emoção genuína e a verdade interior, sem recorrer a excessos formais. Os temas abordados — como o amor, a saudade, a esperança, a dor e a capacidade de superação — são universais, mas ganham um tratamento sensível e pessoal, que os torna próximos e atuais. Ao longo da obra, percebe-se uma busca constante de luz e sentido, mesmo quando os poemas nascem de momentos de sombra, o que confere à leitura um tom reconfortante e inspirador.

Poetando com Alma é especialmente indicado para leitores que apreciam uma poesia intimista, reflexiva e profundamente humana, capaz de tocar de forma subtil, sem impor interpretações fechadas. É um livro para ser lido com tempo, revisitado em diferentes fases da vida, pois os seus poemas revelam novas camadas de significado à medida que o leitor também se transforma.

Importa, ainda, sublinhar a ligação desta obra ao Agrupamento de Escolas de Vilela, no âmbito do projeto Vilela Literária, referido no prefácio como um espaço privilegiado de encontro, partilha e valorização da palavra escrita. Orientado para a promoção do diálogo cultural e do estímulo à criação, este projeto tem-se afirmado como um lugar onde a leitura encontra voz e a escrita se constrói como prática viva. Nesse contexto, Ludovina Silva, enquanto docente do agrupamento, procura fomentar uma cultura em que a leitura se afirma e a escrita criativa se assume como gesto de liberdade, expressão e construção de sentido.

Adelaide Silva
(Educadora de Infância)
(Coordenadora de Estabelecimento da Escola Básica da Serrinha)

Contra a Interpretação

 


Publicado em 1966, Contra a Interpretação é uma coletânea de ensaios da escritora e crítica cultural Susan Sontag. A obra discute a maneira como a arte é analisada e interpretada, especialmente na literatura, no cinema, na pintura e na filosofia.

A ideia central do livro é a crítica ao excesso de interpretação intelectual da arte. Para Sontag, muitas análises tentam “explicar” as obras buscando significados escondidos, símbolos ou mensagens morais, o que acaba diminuindo a experiência estética. Em vez de sentir a arte, o público passa a decifrá-la como se fosse um problema a ser resolvido.

No ensaio que dá nome ao livro, Sontag defende que a arte deve ser vivida de forma mais sensível e direta, valorizando a forma, o estilo, o impacto visual e emocional. Ela propõe uma mudança de atitude: em vez de perguntar “o que isso significa?”, deveríamos perguntar “como isso é?” ou “o que isso nos faz sentir?”.

Contra a Interpretação é uma obra importante porque questiona hábitos comuns de leitura e análise, incentivando uma relação mais aberta, sensorial e criativa com a arte. O livro continua atual, especialmente em um mundo onde tudo é constantemente explicado, rotulado e interpretado.

 

Valeria Wiendl
(Docente de EV e ET)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

A sombra do vento


A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón, tem como pano de fundo a cidade de Barcelona no período posterior à Guerra Civil Espanhola. A narrativa acompanha Daniel Sempere, filho de um livreiro que, aos dez anos, é levado pelo pai ao enigmático Cemitério dos Livros Esquecidos, onde escolhe o romance A Sombra do Vento, de Julián Carax.

A leitura da obra desperta em Daniel o interesse pela vida do escritor, cuja produção literária vem sendo sistematicamente destruída por um indivíduo misterioso. A investigação leva-o a reconstruir a trajetória de Carax, marcada por conflitos familiares, um relacionamento amoroso interrompido e perseguições durante um período político conturbado da Espanha.

A leitura desta obra desperta em Daniel Sempere uma profunda curiosidade pela enigmática vida de Julián Carax, um escritor cuja produção literária vem sendo sistematicamente destruída por um misterioso perseguidor. Motivado por essa descoberta, Daniel inicia uma investigação minuciosa que o leva a reconstruir a trajetória de Carax, marcada por dramas familiares complexos, um amor interrompido de forma trágica e conflitos com figuras de poder durante os conturbados anos de instabilidade política e social num período conturbado de Espanha.

À medida que cresce, Daniel envolve-se numa teia de segredos que liga diferentes personagens e épocas. Ao longo desse percurso, Daniel não apenas desvenda segredos literários e pessoais de Carax, mas também confronta os próprios dilemas éticos e emocionais que surgem à medida que ele se envolve nesse mundo de mistério e paixão.

A história vai se desenrolando à medida que esses segredos são revelados, até que finalmente se descobre o destino de Julián Carax.

Ao longo da obra, Zafón reflete sobre temas como memória, identidade, destino e o poder transformador da literatura, salientando a forma como o passado, através das experiências vividas e das escolhas feitas, exerce uma influência duradoura na construção da identidade e no percurso de vida de cada indivíduo.

"Cada livro, cada volume que vês, tem alma. A alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o olhar pelas suas páginas, o seu espírito cresce e torna-se forte"

Carlos Ruiz Zafón em “A sombra do vento”.


Ana Moutinho
(Docente de Matemática)
(Adjunta do Diretor)

domingo, 14 de dezembro de 2025

Espera por mim

 

O livro Espera por Mim, de António Mota, conta a história de Saul Antonino, um rapaz que vivia em Lisboa com a mãe. Um dia, eles são despejados da casa onde viviam, porque não tinham dinheiro para pagar a renda. Como a mãe precisava de arranjar outro lugar para ele habitarem, Saul foi temporariamente viver com a avó, na pequena província da Pedrinha do Sol, enquanto a sua mãe ficou alojada em casa de uma amiga.

A viagem até lá marcou muito Saul, porque era a primeira vez que viajava sozinho. Enquanto esperava pelo comboio, Saul começou a pensar no seu grande problema: as distrações. Saul tinha muita imaginação e, segundo ele, o mundo imaginário era muito melhor que o real. Durante a sua viagem, Saul manteve contacto com a mãe e com os seus melhores amigos: Deni e Ana Rita.

Porém, ao ir à casa de banho do comboio, perdeu o telemóvel e só se apercebeu mais tarde. Como era através do telemóvel que sabia o caminho até casa da avó, ficou em pânico. Quando chegou a Campanhã, Saul Antonino não tinha forma de contactar ninguém e não sabia para onde ir.

Como ninguém conseguia falar com Saul, a avó temeu que algo tivesse acontecido com ele e pediu ajuda a uma amiga para o procurar na estação. Foi então que apareceu uma senhora que olhava para ele e sorria. Saul ficou assustado, pensando que ela o queria raptar, mas afinal era apenas uma amiga da avó. A senhora reconheceu-o pela mala estranha que a mãe lhe tinha oferecido e levou-o até casa da avó. Lá, enquanto as duas senhoras conversavam e bebiam chá, Saul ficou no quarto a descansar.

Nos dias seguintes, Saul sentia-se um pouco perdido, porque não tinha telemóvel e não conhecia ninguém na aldeia. Uma manhã, encontrou na cozinha um bilhete da avó a dizer que tinha saído e só voltava para o almoço. Como ela tinha deixado os ingredientes preparados, quando o meio-dia chegou e a avó ainda não tinha regressado, Saul decidiu começar a cozinhar. Quando a avó voltou, comeram juntos e ela pediu-lhe para ir ao sótão, pois tinha lá uma surpresa para ele.

No sótão, Saul encontrou a bicicleta antiga da mãe, completamente restaurada. A partir desse momento, Saul começou a passear de bicicleta todos os dias. Numa dessas voltas, conheceu uma rapariga muito bonita chamada Paula Raquel. Os dois começaram a andar juntos, explorando o parque e vários sítios da Pedrinha do Sol.

Um dia, Paula Raquel disse a Saul que, no dia seguinte, ela e a sua família iriam embora. Saul deu-lhe então o seu e-mail para manterem contacto. Ele tentou acordar cedo para se despedir da amiga, mas ela já tinha partido. No entanto, quando acordou, encontrou a mãe, que tinha ido buscá-lo, pois ela, finalmente, tinha arranjado uma casa para eles viverem. E trouxe-lhe também um presente: um novo telefone!

Então, a primeira coisa que Saul fez foi mandar mensagens ao Deni, à Ana Rita e também à Paula Raquel, para lhes contar as novidades.

 

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A turma 8RD:

Andrea Espinoza; Bianca Barbosa; Carolina Campos; Daniel Ferreira; Domingos Moreira; Fabiana Coelho; Gonçalo Neto; João Nunes; João Paiva; Lavynia Pereira; Leonor Ferreira; Leonor Azevedo; Luana Neto; Maria Marujo; Mariana Lopes; Martim Seabra; Martim Gonçalves; Matilde Lopes; Matilde Leal; Pedro Barbosa; Rafael Barbosa; Ricardo Fernandes e Rodrigo Silva

O tubarão na banheira

 


Tudo começou no dia em que o avô,

ao sentar-se sem jeito, os óculos partiu.

Ficou DESLUMBRADO, meio às cegas,

e o menino riu, porque nada viu.

 

No sótão encontraram um aquário vazio,

que o menino limpou com dedicação.

Queria um peixe para lhe fazer companhia,

e assim nasceu do avô a PERPLEXÃO.

 

À beira-mar surgiu o peixinho Osvaldo,

cheio de ASSOMBRO e também MELANCOLIA.

O menino viu-o triste e só,

e decidiu arranjar-lhe um amigo nesse dia.

 

Voltaram à praia com vara e linha,

e logo sentiram um puxão gigante.

Quando saiu da água, era um tubarão!

E o avô, CISMADO, achou-o um peixe elegante.

 

Levaram-no num táxi muito apertado,

com o motorista em clara INQUIETAÇÃO.

O tubarão quase saiu do porta-bagagens,

provocando ESTUPEFACÇÃO.

 

Em casa, o aquário, era pequeno demais,

por isso encheram a banheira com água do mar.

O tubarão chapinhava, fazia ondas enormes,

e o Osvaldo tremia, quase a desmaiar.

 

Na rua e na escola foi grande confusão,

o semáforo caiu, as mochilas foram ao chão.

A árvore abanou com a cauda do tubarão,

e todos DESORIENTADOS tremiam de coração.

 

O menino percebeu que a situação,

era mesmo CATASTRÓFICA para valer.

Decidiu então levá-lo de volta ao mar,

com o avô sempre pronto a ajudar.

 

Mas, para surpresa, do aquário a saltar,

não foi o tubarão, foi o Osvaldo a escapar.

O menino ficou INCRÉDULO, sem saber o que dizer,

ao vê-lo, num instante, no mar desaparecer.

 

E quando regressam, de volta a casa,

O avô grita, sem tempo de pensar:

“Está uma baleia dentro da banheira!”

E a aventura volta a começar.


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A turma 3CVB:

Clara Barros; Dinis Cerdeiral; Francisco Brito; Gabriela Costa; Gustavo Silva; Iara Lopes; Inês Moreira; Íris Matos; Leonor Leite; Lourenço Machado; Lucas Santos; Mafalda Ribeiro; Mara Nunes; Maria Silva; Maria Helena Rodrigues; Maria Inês Gonçalves; Matilde Neto; Micaela Ribeiro; Naiara Santos; Ricardo Silva; Salvador Azevedo; Santiago Coelho; Sofia Matos e Vasco Lopes

As Emoções em Alto Mar

 

 

As Emoções Moram Dentro da Gente

Dentro de cada pessoa existe um mundo cheio de sentimentos. As emoções são como pequenas luzinhas que acendem para nos ajudar a entender o que está a acontecer à nossa volta.

Às vezes, sentimos alegria, e parece que o coração quer sorrir junto com a gente. Outras vezes, vem a tristeza, e tudo fica um pouco nublado, como um dia de chuva. Também existe a raiva, que é como um fogo forte que aparece quando algo nos incomoda. E tem o medo, que nos deixa alertas quando achamos que algo pode dar errado.

Todas essas emoções são importantes. Elas aparecem para nos proteger, ensinar e ajudar a crescer. Não existe emoção “boa” ou “ruim”: todas fazem parte de quem somos.

O mais importante é lembrar que podemos conversar sobre o que sentimos. Falar com alguém de confiança — como um adulto, um amigo ou um professor — ajuda o coração a ficar mais leve. E, quando entendemos as nossas emoções, fica mais fácil entender também as dos outros.

Sentir faz parte da vida. E, com cada emoção, aprendemos um pouquinho mais sobre nós mesmos.

 

RESUMO

Num vasto e profundo oceano chamado Maré, onde habitam criaturas maravilhosas, vive um mar sensível e cheio de emoções. Embora Maré seja muitas vezes alegre, também enfrenta momentos de tristeza, raiva e confusão. Quando as suas emoções se tornam demasiado intensas, decide procurar ajuda e encontra Leonardo, uma tartaruga sábia que o guia numa jornada de autoconhecimento. Através de conselhos sobre respiração, reconhecimento emocional e partilha com os amigos, Maré aprende a compreender e a gerir os seus sentimentos.


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A turma 2CVA:

Afonso Dias; Ariana Coelho; Ariana Moreira; David Carneiro; Francisco Teixeira; Gonçalo Almeida; Guilherme Ribeiro; João Silva; João Dias; Joel Moreira; Lara Prudêncio; Lara Cunha; Luana Monteiro; Mafalda Cruz; Martim Brito; Melissa Silva; Rafael Ferreira; Ricardo Carvalho; Rodrigo Leal e Rodrigo Gonçalves


Queimada Viva

 


Este livro apresenta a história verídicade Souad, uma jovem palestiniana que foi vítima de uma tentativa de homicídio motivada por um chamado “crime de honra”.

Após engravidar fora do casamento, a sua família decide tirar-lhe a vida para "restaurar" a honra familiar. O seu cunhado executa o castigo, atirando-lhe gasolina e incendiando-a. Contra todas as probabilidades, Souad sobrevive ao ataque, ficando gravemente ferida.

Posteriormente, é resgatada por uma organização humanitária e levada para a Europa, onde recebe tratamento médico e tem a oportunidade de recomeçar a sua vida. No seu testemunho, a autora descreve a infância marcada pela violência e pela submissão, denunciando a crueldade de certas tradições que continuam a oprimir as mulheres em algumas sociedades.

“Queimada Viva” é, assim, um relato comovente e inspirador, que revela a força e a coragem de uma mulher que sobreviveu para dar voz às vítimas do silêncio e da injustiça.

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A turma 12RB:

Ana Oliveira; Carolina Ribeiro; Carolina Andrade; Gabriela Neves; Gonçalo Sousa; Gonçalo Dias; João Silva; Lara Sousa; Laura Campos; Leonardo Rodrigues; Leonor Maia; Leonor Dias; Luana Silva; Mafalda Barbosa; Margarida Silva; Maria Inês Costa; Sofia Silva; Tiago Alves e Vitória Campos

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Nexus História Breve das Redes de Informação da Idade da Pedra à Inteligência Artificial

 

Nexus História Breve das Redes de Informação da Idade da Pedra à Inteligência Artificial é uma obra de um dos maiores pensadores da atualidade, Yuval Noah Harari.

Presentemente vivemos num mundo dominado pela tecnologia digital, em que as fake news e a desinformação proliferam nas redes sociais, qual é o papel da Inteligência Artificial no meio disto tudo?!

O livro Nexus História Breve das Redes de Informação da Idade da Pedra à Inteligência Artificial de Yuval Noah Harari, aborda a evolução dos meios de comunicação ao longo dos tempos até à invenção da IA, e traça um paralelo entre a evolução dos sistemas de informação e o seu impacto na formação das sociedades.

A obra de Yuval Noah Harari reflete como as revoluções tecnológicas ao longo dos tempos sempre trouxeram progresso, mas inevitavelmente também geraram desinformação e fantasias perigosas.

O autor alerta para o uso da IA, que sem a supervisão humana, pode moldar a informação e influenciar a nossa sociedade.

«Uma obra de suma importância que surge num momento crítico em que todos nós refletimos sobre as implicações da inteligência artificial.» Mustafa Suleyman

«Um livro tremendo, extremamente bem fundamentado e que dá que pensar. Todos deveriam ler Nexus.» Stephen Fry

 

Ricardo Silva
Presidente da Associação de Pais da EBSRebordosa

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Cristiane F.

 


Apesar de já ter lido muitos outros, tenho que partilhar todos os sentimentos despoletados por esta leitura, um dos livros que mais me emocionou.
"O livro “Cristiane F.” emocionou-me muito porque, enquanto lia, senti que estava a acompanhar uma adolescente real, que enfrentava problemas demasiado pesados para alguém da sua idade. Cada capítulo fez-me sentir revolta e tristeza, porque era impossível não imaginar como seria estar no lugar dela ou pensar nas muitas crianças que passam por situações parecidas sem receberem ajuda. A forma direta e verdadeira como a história é contada fez-me sentir que não estava apenas a ler, mas a assistir ao sofrimento de uma pessoa que podia ser qualquer jovem.
O que mais me marcou foi perceber que, mesmo em meio de tanta dor, Christiane ainda procurava coisas simples como carinho, atenção e alguém que a entendesse. Sempre que ela tentava libertar-se das drogas e falhava, sentia a sua frustração e o seu desespero. A frieza do ambiente à sua volta, a falta de apoio dos adultos e o caminho fácil para o vício fizeram-me pensar em como a sociedade falha com quem mais precisa.
A escrita clara e quase documental tornou tudo ainda mais forte, porque nada parecia exagerado ou inventado. Era tudo real e humano. Isso fez-me refletir sobre a fragilidade das pessoas e sobre como é difícil julgar alguém sem conhecer a sua história.
No fim, emocionei-me porque percebi que, por trás de cada dependente, existe uma pessoa que só queria ser ajudada. A história de Christiane fez-me lembrar que ninguém escolhe sofrer sozinho...e isso tocou-me profundamente"


Zélia Sousa
Chefe dos Serviços Administrativos e Escolares

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Uma catastrófica visita ao zoo

 

Uma Catastrófica Visita ao Zoo, de Joël Dicker, é um dos livros mais surpreendentes do autor: breve e descontraído na forma, mas profundo nas questões que levanta. A história nasce de um episódio simples, uma visita escolar ao jardim zoológico poucos dias antes do Natal, que rapidamente se transforma numa verdadeira catástrofe. Durante anos, o que realmente aconteceu naquele dia permanece envolto em mistério na pequena comunidade dos protagonistas. A narrativa é conduzida por Joséphine, uma ex-aluna de uma escola especial (“Chamamos escola especial a uma escola onde são colocadas as crianças que não vão para as outras escolas.”) que já adulta decide revelar tudo o que se passou e de que modo esse acontecimento marcou alunos, professores, pais e toda a cidade.

Os meus pais queriam explicações, mas, para lhes explicar tudo, seria necessário explicar que a catastrófica visita ao jardim zoológico se devera ao catastrófico espetáculo da escola, que acontecera por causa da catastrófica peça de teatro, que fora encenada por causa da catastrófica visita ao Pai Natal, que acontecera por causa da catastrófica Santa Bofetada, que acontecera por causa do catastrófico curso de prevenção rodoviária, que acontecera por causa da catastrófica aula de ginástica, que acontecera por causa da catastrófica reunião no anfiteatro, que, por sua vez, acontecera por causa de uma catástrofe inicial.”

No centro desta tempestade narrativa estão, além da narradora, várias personagens peculiares, destacando-se Mademoiselle Jennings, professora dessa turma especial e responsável por um pequeno grupo que inclui Artie, o hipocondríaco; Thomas, apaixonado por karaté; Otto, filho de pais divorciados; Giovanni, invariavelmente vestido com a mesma camisa e herdeiro do próspero negócio familiar do papel higiénico; e Yoshi, que não fala e sonha ser escultor. O diretor da escola desempenha também um papel importante, acompanhado de um elenco secundário composto por pais, uma avó especialista em séries policiais, um falso pai natal que é dramaturgo, um polícia que investiga envergando uma bata hospitalar, um bully, um professor de ginástica acidentado e a dona de uma loja de animais descrita como pérfida.

Apesar do tom humorístico e acessível, o livro aborda temas relevantes como a participação democrática, os modos de decisão dentro da escola, a relação entre crianças e adultos e a forma como lidamos com o erro, o conflito e a diferença. É também uma reflexão sobre a memória e sobre as múltiplas versões que cada pessoa guarda dos mesmos factos, mostrando como a verdade é muitas vezes mais complexa do que parece.

Joël Dicker nasceu na Suíça e publicou vários livros que foram sucessos internacionais e que receberam vários prémios de prestígio. O enigma do quarto 622, publicado em Portugal pela Alfaguara, merece também  muito a pena ser lido.

Dicker escreveu esta obra com a intenção de que pudesse ser lida por todas as idades, e isso nota-se na fluidez da escrita, no humor (soltei algumas gargalhadas, confesso!) e na universalidade da narrativa. É uma leitura ideal para escolas, famílias e clubes de leitura, facilmente integrável em disciplinas como Português ou Cidadania, pois abre espaço para discutir inclusão, participação, a relação entre escola e família e os desafios da vida em comunidade. Ao mesmo tempo, o livro mantém o suspense até ao fim e envolve até leitores menos habituados à leitura.

E permanece no ar a interrogação lançada pelo livro: E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos? Seriam eles capazes de aprender aquilo que há tanto tempo tentam ensinar?

Resta mais uma pergunta que o próprio autor coloca: será possível escrever um livro que possa ser lido e partilhado por leitores dos sete aos cento e vinte anos?

Albino Pereira
(Docente de Matemática)
Diretor do AEVilela 

Eu, Malala


Ler Eu Sou Malala é uma experiência que vai além da simples leitura de um livro.

Esta obra conta a história verdadeira de uma jovem que acreditava profundamente no direito à educação, mesmo vivendo num ambiente marcado pelo medo e pela violência.

Não é apenas a história de uma menina corajosa: é um testemunho real que nos ajuda a compreender como, ainda hoje, muitos jovens enfrentam barreiras para poder estudar. Ao conhecer a vida de Malala, percebemos como a falta de liberdade e a desigualdade podem destruir sonhos e limitar o futuro de tantas crianças.

Este livro mostra o valor da educação de uma forma muito clara. Ao acompanhar o percurso de Malala, aprendemos a dar importância à escola, aos professores e ao conhecimento. É também uma forma de refletir sobre os direitos das crianças e sobre a responsabilidade de garantir que todas tenham oportunidade de aprender.

Além disso, o livro ensina sobre coragem e esperança. Mesmo depois de sofrer um ataque por defender aquilo em que acreditava, Malala não desistiu. A sua força inspira qualquer pessoa a lutar pelos seus objetivos e a acreditar que a mudança é possível, mesmo diante das maiores dificuldades.

Por isso, ler Eu Sou Malala é defender a importância da educação para todos. É um livro que emociona, faz pensar e lembra que uma voz, mesmo pequena, pode transformar o mundo.

Carla Alexandra Ribeiro
(Assistente Operacional)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

A Raridade das Coisas Banais

 

O livro A Raridade das Coisas Banais, do autor português Pedro Chagas Freitas, é uma obra capaz de transformar a forma como encaramos a vida quotidiana. Publicado em 2022, este romance revela-se uma meditação sensível sobre a infância, o amor, a nostalgia e a urgência de recuperar aquilo que torna a existência genuína e humana.

Desde a primeira pergunta  “- O que queres ser quando fores grande?  - Pequeno outra vez.”, o livro convida o leitor a regressar ao essencial, ao olhar curioso e descomplicado de uma criança.

A narrativa desperta em nós uma nostalgia doce e uma reflexão profunda sobre o que realmente importa: as coisas simples, os gestos espontâneos, os sonhos guardados, os sentimentos puros.

Para mim, o que mais me emocionou foi a honestidade com que o autor aborda a condição humana, sem artifícios nem pretensões. A sensação de vulnerabilidade diante da vida, misturada com ternura, faz com que certas passagens me tenham marcado de forma profunda e para a vida. Há momentos em que o livro nos obriga a encarar verdades esquecidas: o valor do amor, da empatia, da reconexão com o “eu criança” que todos, de algum modo, deixamos para trás. Devíamos ser crianças todos os dias! Devemos ser crianças TODOS os dias!

Além disso, o romance desperta a consciência de que “coisas banais”, como um gesto, uma memória ou um abraço, podem ser extraordinárias se as virmos com o coração aberto e a eterna inocência de crianças. Pedro Chagas Freitas revela-se mestre em transformar o ordinário em universal, deixando-nos com a certeza de que devemos preservar o brilho da inocência, mesmo na vida adulta.

Em suma, A Raridade das Coisas Banais é uma obra comovente e necessária, um convite à introspeção e ao reencontro com aquilo que somos /fomos, antes das responsabilidades, antes das máscaras, antes do tempo fugaz e efémero das nossas vidas.

Lucília Barros
Encarregada de Educação do aluno Rafael Silva da turma 11.º VA

Marley e Eu

 

"Marley e Eu" foi o último livro que li pela vigésima vez, mas sempre como se fosse a primeira. "Marley e Eu" conta a história real de John Grogan, que adota um cão labrador Retrivier, Marley, para a sua família. O livro descreve as peripécias do casal com o cão, que é incontrolável e destrutivo, mas que também é cheio de amor e lealdade. A história, que é uma mistura humor, tristeza e emoção, explora o profundo vínculo entre a família e o animal ao longo de 13 anos, ensinando lições sobre amor incondicional, família e o que realmente importa na vida. O livro versa o envelhecimento e a morte de Marley, terminando a história de forma emocionante e tocante, com reflexões sobre a vida, o amor e a lealdade de um cão. Assim sendo, quando releio este livro consigo através dele reequilibrar as minhas emoções, cansaço e dores da vida sempre olhando com os olhos marejados para o meu Marley que em 2026 fará os seus 13 anos de vida, ainda que a literatura e a ciência deem uma média de vida ao Golden Retrevier de 10~12 anos.... O meu Marley apesar da idade ainda tem forças para nos acompanhar com alegria, vivacidade e tropelias com a mesma frequência de um cão de 5 anos...

Amamos-te Marley!!!!!!!

Ana Cristina Barata
Encarregada de Educação do aluno Pedro Barata do 11.º VA

O Código da Vinci

 

Jacques Saunière, o curador do Museu do Louvre, estava a trabalhar durante a noite quando foi encontrado na Grande Galeria. Apesar de ter puxado um quadro para fechar as grades da Grande Galeria, acabou por levar um tiro na barriga por um homem albino, chamado Silas, que era um membro do Opus Dei, uma instituição católica conservadora.

O velho curador do Louvre tinha aproximadamente mais vinte minutos de vida, mas também guardava um enorme segredo que, naquele momento, apenas ele sabia, pois os outros guardiães desse segredo tinham sido mortos nessa mesma noite. Com isso, Jacques Saunière tinha de partilhar esse segredo com uma pessoa de confiança, porém estava sozinho e, dessa forma, teve de partilhar o segredo por meio de códigos e pistas, para que apenas as pessoas certas pudessem entender o que ele queria partilhar.

Robert Langdon era simbologista e tinha viajado de Londres para Paris a fim de dar uma palestra. Era suposto ter tido uma conversa num café com Jacques Saunière, a convite do mesmo, porém Saunière não chegou a aparecer. Portanto, Robert Langdon continuou a sua noite normalmente. Porém, enquanto dormia num hotel, foi acordado e informado de que o curador do Louvre fora assassinado e acabou por ser forçado pela polícia a ir ao Louvre, pois a polícia tinha encontrado a agenda de Jacques Saunière e descoberto que era suposto ele ter-se encontrado com Langdon.

Quando chega à Grande Galeria, Robert Langdon depara-se com o corpo inconsciente de Saunière a imitar o quadro “O Homem de Vitrúvio”, de Leonardo da Vinci, e outras mensagens, aparentemente sem nexo, escritas ao lado do corpo. Robert Langdon acaba por descobrir que é o principal suspeito do homicídio e, com a ajuda da neta de Saunière, Sophie Neveu, uma dotada criptologista que foi envolvida no caso, consegue escapar à polícia e, juntos, embarcam numa aventura para tentar decifrar as mensagens que Saunière deixou.

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A turma 9RA:

Afonso Couto; António Silva; Carlos Vinagres; Daniel Neves; Duarte Moreira; Filipa Moreira; Gabriel Pacheco; Gabriela Costa; Gonçalo Dias; Gonçalo Martins; Luana Queirós; Mafalda Silva; Martim Neto; Martim Santos; Micael Moreira; Rodrigo Melo; Sofia Nunes; Tiago Coelho e Victória Pinto

O filho de mil homens


Quando li o livro O Filho de Mil Homens, de Valter Hugo Mãe,  fiquei profundamente tocada pela forma como o autor aborda temas universais como a solidão, a paternidade e a construção de laços afetivos. A forma como o escritor retrata personagens imperfeitas, mas profundamente humanas, faz com que seja impossível não nos identificarmos com as suas dores, esperanças e pequenas alegrias do dia a dia.

O que mais me cativou na obra foi a mensagem de que a família e os vínculos afetivos vão além do sangue. A história da protagonista, na busca por uma “família escolhida” e no desejo de criar ligações significativas, transmite uma lição de empatia e humanidade que permanece muito tempo depois de fechar o livro.

Outro ponto que me agradou é que já tem uma adaptação cinematográfica. Saber que a obra ganhou vida também no cinema permite que outras pessoas conheçam esta história de uma forma diferente, apreciando as personagens e os sentimentos que Valter Hugo Mãe transmitiu, agora através de imagens, atores e música. A adaptação reforça a beleza da narrativa e evidencia que a história consegue emocionar tanto na palavra escrita quanto na expressão visual.

Em resumo, gostei do livro pela sensibilidade da narrativa, pela profundidade das personagens e pela mensagem de esperança e amor humano que transmite. Saber que existe a adaptação cinematográfica torna a experiência ainda mais completa e acessível a todos os que desejam conhecer esta história tocante.

Ana Teixeira
(Docente de Inglês e Alemão)
(Elemento da Equipa PAA)
(Elemento da Equipa SAIDA da EBSRebordosa)
(Elemento da Equipa dinamizadora do Clube de Teatro da EBSRebordosa)

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

O Diário de Anne Frank

 


Ler O Diário de Anne Frank é uma experiência que vai muito além da simples leitura de um livro. Este livro mostra a vida de uma jovem que teve de se esconder durante a Segunda Guerra Mundial.

Não é apenas uma história antiga: é um testemunho real que nos ajuda a entender o sofrimento causado pelo ódio e pela intolerância.

Em primeiro lugar, aconselhamos a leitura porque o diário ajuda a perceber como a guerra destruiu várias vidas inocentes. Ao ler os pensamentos de Anne, sentimos empatia e aprendemos a valorizar a paz, a liberdade e o respeito pelos outros. É uma forma de refletir sobre o passado e evitar que erros semelhantes se repitam.

Além disso, o livro ensina sobre coragem e esperança. Mesmo em momentos difíceis, Anne nunca deixou de escrever e sonhar com um futuro melhor. Essa força inspira qualquer pessoa, especialmente os jovens, que podem ver nela um exemplo de resistência e confiança.

Outro motivo para ler é a forma como ela escreve. Apesar de ser adolescente, ela conseguia explicar sentimentos e situações com muita clareza e emoção. O texto é simples, mas profundo, e prende o leitor do início ao fim. 

Por isso, defender a leitura de O Diário de Anne Frank é defender a memória e a importância de aprender com a história. É um livro que emociona, ensina e faz pensar. Quem o lê não encontra apenas uma história, mas uma lição de humanidade que continua atual e necessária.

Ler este diário mantém viva a voz de Anne e lembra-nos o valor da dignidade humana. Cada página faz-nos pensar no mundo que queremos e em como cada um pode defender a justiça e a paz.


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A turma 8RA:

Beatriz Santos; Cristiano Cruz; Francisca Brito; Guilherme Gomes; Helena Campos; Helena Moreira; Inês Nunes; Inês Pinto; José Barbosa; Lara Duarte; Leonardo Ribeiro; Leonardo Silva; Margarida Alves; Margarida Silva; Mariana Moreira; Martim Ferreira; Núria Coelho; Pedro Pacheco; Rafael Moreira e Rita Brito