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domingo, 11 de janeiro de 2026

As Vinhas da Ira

 


"As Vinhas da Ira de John Steinbeck" é um dos meus livros de eleição pela profunda reflexão sobre a dignidade, sofrimento e esperança num contexto social  da Grande Depressão de 1930 com uma forte crítica ao sistema económico e social.

As Vinhas da Ira retrata a história da família Joad agricultores do Oklahoma, que são expulsos das suas terras devido à mecanização da agricultura e às dívidas aos bancos.
Os Joad partem numa longa viagem rumo à Califórnia, alimentados pela esperança de encontrar trabalho e uma vida melhor.
Ao longo do caminho enfrentam fome, pobreza, exploração laboral, morte e desintegração familiar. Na Califórnia, a realidade revela-se cruel porque há excesso de mão-de-obra, salários miseráveis e condições desumanas nos campos de trabalho. A família sofre perdas profundas...O romance denuncia a desigualdade económica e a desumanização dos mais pobres, ao mesmo tempo que exalta a resiliência humana e a importância da união.
A mãe...Ma Joad é uma das personagens que mais me tocou e uma das mais importantes do romance. É o pilar emocional da família... Forte, prática e profundamente humana, é ela quem mantém a família unida durante toda a viagem e nas adversidades na Califórnia.
Aqui fica um excerto que descreve a forma como Tom olha para a mãe: 
" Tom parou e olhando-a... A mãe era corpulenta ... engrossara devido aos muitos filhos e ao excesso de trabalho... as mãos eram polpudas mas delicadas...os olhos cor de avelã, pareciam terem experimentado todas as tragédias possíveis e terem atingido a dor e o sofrimento... a mãe habituara-se a extrair alegria das coisas menos alegres. Sabia mostrar-se imperturbável. Da sua posição de médica das almas, haurira segurança, tranquilidade e domínio de gestos, pela sua posição de árbitro, tornara-se distante e impecável como uma deusa. Parecia saber que dependia dela o edifício da família..."

Blandina Santos 
(Assistente Técnica)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Cristiane F.

 


Apesar de já ter lido muitos outros, tenho que partilhar todos os sentimentos despoletados por esta leitura, um dos livros que mais me emocionou.
"O livro “Cristiane F.” emocionou-me muito porque, enquanto lia, senti que estava a acompanhar uma adolescente real, que enfrentava problemas demasiado pesados para alguém da sua idade. Cada capítulo fez-me sentir revolta e tristeza, porque era impossível não imaginar como seria estar no lugar dela ou pensar nas muitas crianças que passam por situações parecidas sem receberem ajuda. A forma direta e verdadeira como a história é contada fez-me sentir que não estava apenas a ler, mas a assistir ao sofrimento de uma pessoa que podia ser qualquer jovem.
O que mais me marcou foi perceber que, mesmo em meio de tanta dor, Christiane ainda procurava coisas simples como carinho, atenção e alguém que a entendesse. Sempre que ela tentava libertar-se das drogas e falhava, sentia a sua frustração e o seu desespero. A frieza do ambiente à sua volta, a falta de apoio dos adultos e o caminho fácil para o vício fizeram-me pensar em como a sociedade falha com quem mais precisa.
A escrita clara e quase documental tornou tudo ainda mais forte, porque nada parecia exagerado ou inventado. Era tudo real e humano. Isso fez-me refletir sobre a fragilidade das pessoas e sobre como é difícil julgar alguém sem conhecer a sua história.
No fim, emocionei-me porque percebi que, por trás de cada dependente, existe uma pessoa que só queria ser ajudada. A história de Christiane fez-me lembrar que ninguém escolhe sofrer sozinho...e isso tocou-me profundamente"


Zélia Sousa
Chefe dos Serviços Administrativos e Escolares

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Eu, Malala


Ler Eu Sou Malala é uma experiência que vai além da simples leitura de um livro.

Esta obra conta a história verdadeira de uma jovem que acreditava profundamente no direito à educação, mesmo vivendo num ambiente marcado pelo medo e pela violência.

Não é apenas a história de uma menina corajosa: é um testemunho real que nos ajuda a compreender como, ainda hoje, muitos jovens enfrentam barreiras para poder estudar. Ao conhecer a vida de Malala, percebemos como a falta de liberdade e a desigualdade podem destruir sonhos e limitar o futuro de tantas crianças.

Este livro mostra o valor da educação de uma forma muito clara. Ao acompanhar o percurso de Malala, aprendemos a dar importância à escola, aos professores e ao conhecimento. É também uma forma de refletir sobre os direitos das crianças e sobre a responsabilidade de garantir que todas tenham oportunidade de aprender.

Além disso, o livro ensina sobre coragem e esperança. Mesmo depois de sofrer um ataque por defender aquilo em que acreditava, Malala não desistiu. A sua força inspira qualquer pessoa a lutar pelos seus objetivos e a acreditar que a mudança é possível, mesmo diante das maiores dificuldades.

Por isso, ler Eu Sou Malala é defender a importância da educação para todos. É um livro que emociona, faz pensar e lembra que uma voz, mesmo pequena, pode transformar o mundo.

Carla Alexandra Ribeiro
(Assistente Operacional)

segunda-feira, 7 de abril de 2025

O comboio das crianças

 

O Comboio das Crianças, de Viola Ardone, é um livro comovente que nos leva até à Itália do pós-guerra, onde muitas crianças pobres do sul foram enviadas para o norte do país, na esperança de uma vida melhor. É o caso de Amerigo, um menino de sete anos que parte num comboio sem saber bem para onde vai, nem porquê.
A história é contada pelos olhos do próprio Amerigo, o que torna a leitura ainda mais tocante. A sua voz infantil, por vezes ingénua, outras vezes desconcertantemente lúcida, acompanha-nos ao longo de uma viagem que é física, mas também profundamente interior. A sua forma de ver o mundo, cheia de perguntas, confusão e pequenos gestos de ternura, faz-nos pensar no que é crescer longe de casa e no que significa, afinal, ter uma família.
Ao longo do livro, vamos percebendo que esta viagem muda o Amerigo para sempre e, de certa forma, também nos muda a nós, leitores. É uma história sobre separações, afetos e memórias. Mas também sobre a capacidade que as crianças têm de se adaptarem, de sobreviverem e de continuarem a sonhar, mesmo nas situações mais difíceis.
Recomendo este livro a quem gosta de histórias humanas, sensíveis e cheias de significado. É uma leitura simples, mas profunda.

Francisca Pereira
Terapeuta Ocupacional
Serviços Técnicos Especializados