terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Uma catastrófica visita ao zoo

 

Uma Catastrófica Visita ao Zoo, de Joël Dicker, é um dos livros mais surpreendentes do autor: breve e descontraído na forma, mas profundo nas questões que levanta. A história nasce de um episódio simples, uma visita escolar ao jardim zoológico poucos dias antes do Natal, que rapidamente se transforma numa verdadeira catástrofe. Durante anos, o que realmente aconteceu naquele dia permanece envolto em mistério na pequena comunidade dos protagonistas. A narrativa é conduzida por Joséphine, uma ex-aluna de uma escola especial (“Chamamos escola especial a uma escola onde são colocadas as crianças que não vão para as outras escolas.”) que já adulta decide revelar tudo o que se passou e de que modo esse acontecimento marcou alunos, professores, pais e toda a cidade.

Os meus pais queriam explicações, mas, para lhes explicar tudo, seria necessário explicar que a catastrófica visita ao jardim zoológico se devera ao catastrófico espetáculo da escola, que acontecera por causa da catastrófica peça de teatro, que fora encenada por causa da catastrófica visita ao Pai Natal, que acontecera por causa da catastrófica Santa Bofetada, que acontecera por causa do catastrófico curso de prevenção rodoviária, que acontecera por causa da catastrófica aula de ginástica, que acontecera por causa da catastrófica reunião no anfiteatro, que, por sua vez, acontecera por causa de uma catástrofe inicial.”

No centro desta tempestade narrativa estão, além da narradora, várias personagens peculiares, destacando-se Mademoiselle Jennings, professora dessa turma especial e responsável por um pequeno grupo que inclui Artie, o hipocondríaco; Thomas, apaixonado por karaté; Otto, filho de pais divorciados; Giovanni, invariavelmente vestido com a mesma camisa e herdeiro do próspero negócio familiar do papel higiénico; e Yoshi, que não fala e sonha ser escultor. O diretor da escola desempenha também um papel importante, acompanhado de um elenco secundário composto por pais, uma avó especialista em séries policiais, um falso pai natal que é dramaturgo, um polícia que investiga envergando uma bata hospitalar, um bully, um professor de ginástica acidentado e a dona de uma loja de animais descrita como pérfida.

Apesar do tom humorístico e acessível, o livro aborda temas relevantes como a participação democrática, os modos de decisão dentro da escola, a relação entre crianças e adultos e a forma como lidamos com o erro, o conflito e a diferença. É também uma reflexão sobre a memória e sobre as múltiplas versões que cada pessoa guarda dos mesmos factos, mostrando como a verdade é muitas vezes mais complexa do que parece.

Joël Dicker nasceu na Suíça e publicou vários livros que foram sucessos internacionais e que receberam vários prémios de prestígio. O enigma do quarto 622, publicado em Portugal pela Alfaguara, merece também  muito a pena ser lido.

Dicker escreveu esta obra com a intenção de que pudesse ser lida por todas as idades, e isso nota-se na fluidez da escrita, no humor (soltei algumas gargalhadas, confesso!) e na universalidade da narrativa. É uma leitura ideal para escolas, famílias e clubes de leitura, facilmente integrável em disciplinas como Português ou Cidadania, pois abre espaço para discutir inclusão, participação, a relação entre escola e família e os desafios da vida em comunidade. Ao mesmo tempo, o livro mantém o suspense até ao fim e envolve até leitores menos habituados à leitura.

E permanece no ar a interrogação lançada pelo livro: E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos? Seriam eles capazes de aprender aquilo que há tanto tempo tentam ensinar?

Resta mais uma pergunta que o próprio autor coloca: será possível escrever um livro que possa ser lido e partilhado por leitores dos sete aos cento e vinte anos?

Albino Pereira
(Docente de Matemática)
Diretor do AEVilela 

Eu, Malala


Ler Eu Sou Malala é uma experiência que vai além da simples leitura de um livro.

Esta obra conta a história verdadeira de uma jovem que acreditava profundamente no direito à educação, mesmo vivendo num ambiente marcado pelo medo e pela violência.

Não é apenas a história de uma menina corajosa: é um testemunho real que nos ajuda a compreender como, ainda hoje, muitos jovens enfrentam barreiras para poder estudar. Ao conhecer a vida de Malala, percebemos como a falta de liberdade e a desigualdade podem destruir sonhos e limitar o futuro de tantas crianças.

Este livro mostra o valor da educação de uma forma muito clara. Ao acompanhar o percurso de Malala, aprendemos a dar importância à escola, aos professores e ao conhecimento. É também uma forma de refletir sobre os direitos das crianças e sobre a responsabilidade de garantir que todas tenham oportunidade de aprender.

Além disso, o livro ensina sobre coragem e esperança. Mesmo depois de sofrer um ataque por defender aquilo em que acreditava, Malala não desistiu. A sua força inspira qualquer pessoa a lutar pelos seus objetivos e a acreditar que a mudança é possível, mesmo diante das maiores dificuldades.

Por isso, ler Eu Sou Malala é defender a importância da educação para todos. É um livro que emociona, faz pensar e lembra que uma voz, mesmo pequena, pode transformar o mundo.

Carla Alexandra Ribeiro
(Assistente Operacional)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

A Raridade das Coisas Banais

 

O livro A Raridade das Coisas Banais, do autor português Pedro Chagas Freitas, é uma obra capaz de transformar a forma como encaramos a vida quotidiana. Publicado em 2022, este romance revela-se uma meditação sensível sobre a infância, o amor, a nostalgia e a urgência de recuperar aquilo que torna a existência genuína e humana.

Desde a primeira pergunta  “- O que queres ser quando fores grande?  - Pequeno outra vez.”, o livro convida o leitor a regressar ao essencial, ao olhar curioso e descomplicado de uma criança.

A narrativa desperta em nós uma nostalgia doce e uma reflexão profunda sobre o que realmente importa: as coisas simples, os gestos espontâneos, os sonhos guardados, os sentimentos puros.

Para mim, o que mais me emocionou foi a honestidade com que o autor aborda a condição humana, sem artifícios nem pretensões. A sensação de vulnerabilidade diante da vida, misturada com ternura, faz com que certas passagens me tenham marcado de forma profunda e para a vida. Há momentos em que o livro nos obriga a encarar verdades esquecidas: o valor do amor, da empatia, da reconexão com o “eu criança” que todos, de algum modo, deixamos para trás. Devíamos ser crianças todos os dias! Devemos ser crianças TODOS os dias!

Além disso, o romance desperta a consciência de que “coisas banais”, como um gesto, uma memória ou um abraço, podem ser extraordinárias se as virmos com o coração aberto e a eterna inocência de crianças. Pedro Chagas Freitas revela-se mestre em transformar o ordinário em universal, deixando-nos com a certeza de que devemos preservar o brilho da inocência, mesmo na vida adulta.

Em suma, A Raridade das Coisas Banais é uma obra comovente e necessária, um convite à introspeção e ao reencontro com aquilo que somos /fomos, antes das responsabilidades, antes das máscaras, antes do tempo fugaz e efémero das nossas vidas.

Lucília Barros
Encarregada de Educação do aluno Rafael Silva da turma 11.º VA

Marley e Eu

 

"Marley e Eu" foi o último livro que li pela vigésima vez, mas sempre como se fosse a primeira. "Marley e Eu" conta a história real de John Grogan, que adota um cão labrador Retrivier, Marley, para a sua família. O livro descreve as peripécias do casal com o cão, que é incontrolável e destrutivo, mas que também é cheio de amor e lealdade. A história, que é uma mistura humor, tristeza e emoção, explora o profundo vínculo entre a família e o animal ao longo de 13 anos, ensinando lições sobre amor incondicional, família e o que realmente importa na vida. O livro versa o envelhecimento e a morte de Marley, terminando a história de forma emocionante e tocante, com reflexões sobre a vida, o amor e a lealdade de um cão. Assim sendo, quando releio este livro consigo através dele reequilibrar as minhas emoções, cansaço e dores da vida sempre olhando com os olhos marejados para o meu Marley que em 2026 fará os seus 13 anos de vida, ainda que a literatura e a ciência deem uma média de vida ao Golden Retrevier de 10~12 anos.... O meu Marley apesar da idade ainda tem forças para nos acompanhar com alegria, vivacidade e tropelias com a mesma frequência de um cão de 5 anos...

Amamos-te Marley!!!!!!!

Ana Cristina Barata
Encarregada de Educação do aluno Pedro Barata do 11.º VA

O Código da Vinci

 

Jacques Saunière, o curador do Museu do Louvre, estava a trabalhar durante a noite quando foi encontrado na Grande Galeria. Apesar de ter puxado um quadro para fechar as grades da Grande Galeria, acabou por levar um tiro na barriga por um homem albino, chamado Silas, que era um membro do Opus Dei, uma instituição católica conservadora.

O velho curador do Louvre tinha aproximadamente mais vinte minutos de vida, mas também guardava um enorme segredo que, naquele momento, apenas ele sabia, pois os outros guardiães desse segredo tinham sido mortos nessa mesma noite. Com isso, Jacques Saunière tinha de partilhar esse segredo com uma pessoa de confiança, porém estava sozinho e, dessa forma, teve de partilhar o segredo por meio de códigos e pistas, para que apenas as pessoas certas pudessem entender o que ele queria partilhar.

Robert Langdon era simbologista e tinha viajado de Londres para Paris a fim de dar uma palestra. Era suposto ter tido uma conversa num café com Jacques Saunière, a convite do mesmo, porém Saunière não chegou a aparecer. Portanto, Robert Langdon continuou a sua noite normalmente. Porém, enquanto dormia num hotel, foi acordado e informado de que o curador do Louvre fora assassinado e acabou por ser forçado pela polícia a ir ao Louvre, pois a polícia tinha encontrado a agenda de Jacques Saunière e descoberto que era suposto ele ter-se encontrado com Langdon.

Quando chega à Grande Galeria, Robert Langdon depara-se com o corpo inconsciente de Saunière a imitar o quadro “O Homem de Vitrúvio”, de Leonardo da Vinci, e outras mensagens, aparentemente sem nexo, escritas ao lado do corpo. Robert Langdon acaba por descobrir que é o principal suspeito do homicídio e, com a ajuda da neta de Saunière, Sophie Neveu, uma dotada criptologista que foi envolvida no caso, consegue escapar à polícia e, juntos, embarcam numa aventura para tentar decifrar as mensagens que Saunière deixou.

Espreita o nosso vídeo:


A turma 9RA:

Afonso Couto; António Silva; Carlos Vinagres; Daniel Neves; Duarte Moreira; Filipa Moreira; Gabriel Pacheco; Gabriela Costa; Gonçalo Dias; Gonçalo Martins; Luana Queirós; Mafalda Silva; Martim Neto; Martim Santos; Micael Moreira; Rodrigo Melo; Sofia Nunes; Tiago Coelho e Victória Pinto

O filho de mil homens


Quando li o livro O Filho de Mil Homens, de Valter Hugo Mãe,  fiquei profundamente tocada pela forma como o autor aborda temas universais como a solidão, a paternidade e a construção de laços afetivos. A forma como o escritor retrata personagens imperfeitas, mas profundamente humanas, faz com que seja impossível não nos identificarmos com as suas dores, esperanças e pequenas alegrias do dia a dia.

O que mais me cativou na obra foi a mensagem de que a família e os vínculos afetivos vão além do sangue. A história da protagonista, na busca por uma “família escolhida” e no desejo de criar ligações significativas, transmite uma lição de empatia e humanidade que permanece muito tempo depois de fechar o livro.

Outro ponto que me agradou é que já tem uma adaptação cinematográfica. Saber que a obra ganhou vida também no cinema permite que outras pessoas conheçam esta história de uma forma diferente, apreciando as personagens e os sentimentos que Valter Hugo Mãe transmitiu, agora através de imagens, atores e música. A adaptação reforça a beleza da narrativa e evidencia que a história consegue emocionar tanto na palavra escrita quanto na expressão visual.

Em resumo, gostei do livro pela sensibilidade da narrativa, pela profundidade das personagens e pela mensagem de esperança e amor humano que transmite. Saber que existe a adaptação cinematográfica torna a experiência ainda mais completa e acessível a todos os que desejam conhecer esta história tocante.

Ana Teixeira
(Docente de Inglês e Alemão)
(Elemento da Equipa PAA)
(Elemento da Equipa SAIDA da EBSRebordosa)
(Elemento da Equipa dinamizadora do Clube de Teatro da EBSRebordosa)

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

O Diário de Anne Frank

 


Ler O Diário de Anne Frank é uma experiência que vai muito além da simples leitura de um livro. Este livro mostra a vida de uma jovem que teve de se esconder durante a Segunda Guerra Mundial.

Não é apenas uma história antiga: é um testemunho real que nos ajuda a entender o sofrimento causado pelo ódio e pela intolerância.

Em primeiro lugar, aconselhamos a leitura porque o diário ajuda a perceber como a guerra destruiu várias vidas inocentes. Ao ler os pensamentos de Anne, sentimos empatia e aprendemos a valorizar a paz, a liberdade e o respeito pelos outros. É uma forma de refletir sobre o passado e evitar que erros semelhantes se repitam.

Além disso, o livro ensina sobre coragem e esperança. Mesmo em momentos difíceis, Anne nunca deixou de escrever e sonhar com um futuro melhor. Essa força inspira qualquer pessoa, especialmente os jovens, que podem ver nela um exemplo de resistência e confiança.

Outro motivo para ler é a forma como ela escreve. Apesar de ser adolescente, ela conseguia explicar sentimentos e situações com muita clareza e emoção. O texto é simples, mas profundo, e prende o leitor do início ao fim. 

Por isso, defender a leitura de O Diário de Anne Frank é defender a memória e a importância de aprender com a história. É um livro que emociona, ensina e faz pensar. Quem o lê não encontra apenas uma história, mas uma lição de humanidade que continua atual e necessária.

Ler este diário mantém viva a voz de Anne e lembra-nos o valor da dignidade humana. Cada página faz-nos pensar no mundo que queremos e em como cada um pode defender a justiça e a paz.


Espreita o nosso vídeo:


A turma 8RA:

Beatriz Santos; Cristiano Cruz; Francisca Brito; Guilherme Gomes; Helena Campos; Helena Moreira; Inês Nunes; Inês Pinto; José Barbosa; Lara Duarte; Leonardo Ribeiro; Leonardo Silva; Margarida Alves; Margarida Silva; Mariana Moreira; Martim Ferreira; Núria Coelho; Pedro Pacheco; Rafael Moreira e Rita Brito