quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Se este foi o meu País

 Se Este Foi o Meu País

«Se este foi o meu país»: quando um livro nos devolve as vozes lá de casa

Sobre o romance de Luísa Castel-Branco

Recebi este livro na primavera, como presente. Não conhecia Luísa Castel-Branco e comecei a lê-lo sem grandes expectativas. Não sabia, nessa altura, que aquelas páginas me iam levar de volta a tantas conversas que tive em casa com as minhas avós, as minhas tias e a minha mãe.

Se este foi o meu país é o mais recente romance de Luísa Castel-Branco e marca o regresso da autora à ficção, oito anos depois. A história leva-nos ao Portugal do Estado Novo, através de uma família de mulheres: uma mãe e as suas três filhas. Vemo-las crescer, descobrir quem são e tentar encontrar o seu lugar num tempo em que a liberdade, sobretudo para as mulheres, tinha limites muito claros.

Não é um livro escrito a partir da nostalgia. A própria autora diz que não escreve memórias, mas recordações, e que quis deixar registado aquilo que aconteceu para que não seja esquecido. E isso sente-se na leitura. O retrato que faz daquela época não é confortável nem procura suavizar o passado.

Foi aí que o livro me tocou de uma forma que não estava à espera.

À medida que ia avançando, comecei a lembrar-me das histórias que ouvi tantas vezes em família. As histórias das minhas avós e das minhas tias, contadas muitas vezes com naturalidade, quase como se fossem coisas sem importância. As conversas com a minha mãe sobre como era crescer naquela época, sobre o que se podia dizer e o que era melhor calar, sobre aquilo que se esperava de uma rapariga e sobre as coisas que simplesmente não lhe eram permitidas.

Na altura, eram apenas histórias de família. Hoje percebo que eram também pequenas partes da história de um país.

Talvez seja essa uma das coisas que mais gostei neste livro: lembrar-me de que a História não está apenas nos livros, nas datas ou nos acontecimentos que aprendemos na escola. Está também nas pessoas. Nas memórias que guardam, nas coisas que viveram e até naquilo de que durante muitos anos não falaram.

E, apesar de a história se passar num Portugal muito diferente do nosso, houve momentos em que não consegui deixar de pensar no presente. Ainda existem desigualdades, ainda há famílias a viver com dificuldades, e ainda há expectativas diferentes para rapazes e raparigas. O tempo mudou, mas algumas coisas demoram mais a mudar do que gostaríamos.

Recomendo este livro. Mas, mais do que isso, deixo uma sugestão: depois de o lerem, conversem com os vossos avós, com os vossos pais, com quem viveu aqueles anos.

Perguntem como era. O que podiam fazer. O que não podiam. O que sonhavam.

Porque, às vezes, as melhores histórias da História estão mesmo ali, dentro da nossa família, à espera que alguém tenha tempo para as ouvir.

Ana Machado 

(Docente de Matemática;membro equipa horários e Coordenadora Milage) 

A HORA DO LOBO

 

Gosto particularmente de romances policiais de autores nórdicos e Jo Nesbø é um dos meus escritores favoritos. Para mim, ler é uma das melhores formas de relaxar e fugir ao corre-corre do dia a dia. Entre o trabalho, as responsabilidades e as preocupações que nunca acabam, sabe-me bem poder parar um pouco e mergulhar numa história que me faça esquecer tudo o resto. E os romances policiais têm precisamente essa capacidade de me prender a atenção e de me transportar para outra realidade.

A Hora do Lobo foi mais uma leitura que me proporcionou esses momentos de evasão. Gosto da forma como Jo Nesbø constrói as suas histórias, mantendo o mistério e o suspense, surpreendendo o leitor e deixando-nos sempre com vontade de ler mais um capítulo. É daqueles livros que nos fazem pensar, levantar hipóteses e tentar descobrir o que vai acontecer a seguir.

O que mais aprecio neste tipo de leitura é precisamente a capacidade de me envolver de tal forma na história que, por momentos, consigo desligar das preocupações do quotidiano. Para mim, um bom livro não tem de nos ensinar grandes lições nem de mudar a nossa maneira de ver o mundo. Às vezes, basta proporcionar-nos umas boas horas de prazer e descontração. E Jo Nesbø consegue fazer isso muito bem.

Maria Manuel Pereira Guedes

(Docente de FQ e Adjunta do Diretor)